★★☆☆☆

Quando comecei a ler esse livro, eu realmente gostei: Miriam começa falando sobre as alterações climáticas e a destruição dos recursos naturais, mostrando o que deu de errado e o que foi feito para corrigir esses problemas, de uma forma brilhante.

Na segunda parte é discutido o problema do envelhecimento da população, mostrando que estamos nos aproximando do ponto em que a população brasileira vai começar a se reduzir e a pirâmide de contribuição da previdência está se invertendo. Segurança entra nessa estatística, já que além de menos filhos, a faixa hetaria que entraria no mercado de trabalho acaba morrendo antes de conseguir chegar a isso (e começar a contribuir).

Terceira parte fala da educação, justamente porque a população está se reduzindo, pedindo para que os trabalhadores do futuro sejam melhores educados e preparados para mudar de situação.

E aí ela fala de economia e a coisa despenca.

Ela comenta os problemas de corrupção no país -- atualizado para até o que se sabia no final de 2015, de uma forma realmente ampla e bem melhor explicado do que qualquer publicação jornalistica por aí -- mas na parte de soluções só são citados os bons e velhos discursos de sempre: desinchar o governo, abrir barreira, reforma tributária, etc, etc, etc.

Acontece que se fosse fácil, já teria sido feito. Enquanto jornalista de economia -- o que garante um conhecimento maior do que a maioria das pessoas -- sair gritando as velhas discussões de sempre sem apresentar uma solução é triste. E soa pior justamente porque ela É jornalista de economia.

(Não discordo que tem que ser feito, mas ficar simplesmente na discussão sem apresentar soluções, mesmo a longo prazo...)

Desse ponto em frente, o castelo de cartas começa a desmoronar. É preciso ensinar as pessoas a poupar, mas é preciso estimular a indústria (se as pessoas estão poupando, a indústria vai vender pra quem?); o mundo está passando para a transformação digital e educação deveria usar esse recurso melhor, apresentando o mundo para as crianças, mas é preciso fazer a indústria ser o maior contribuidor do PIB (minha senhor, se o mundo está virando digital, não deveríamos focar nisso, que é serviço?); as escolas tem que ensinar a pensar, mas é preciso ensinar, desde criança, a poupar (mas se era ensinar a pensar, pra que ter algo específico?); é preciso fazer crescer o PIB com ajuda à indústria, mas o PIB não é uma métrica boa (sem comentários); poluição causa vários problemas de saúde e geração de energia limpa é o futuro, mas é preciso fazer com que a petrobrás tenha uma produção maior (temos que reduzir poluição, mas é preciso investir numa empresa que produz poluição?); quem precisa resolver os problemas do trânsito são as cidades, mas o culpado é o Federal por ter reduzido IPI... E por aí vai.

Não que o livro não seja interessante pela quantidade de informações existentes. O problema é que, numa tentativa de mostrar caminhos para o Brasil do futuro, Miriam acaba sugerindo fazer coisas dispersas. É como perguntar para alguém como chegar num restaurante e essa pessoa dizer que deve-se pegar a direita e a esquerda ao mesmo tempo. Simplesmente, não é possível.

Fora as questões lógicas do conteúdo, existe um problema de edição: vários pontos aparecem com conteúdo repetido, como se a autora tivesse escrito pedaços em momentos diferentes e sequer releu o capítulo novamente para verificar se não há duplicação.

No fim, é um livro interessante pelas informações, mas como sugestões de futuro, parece mais uma tentativa de atirar várias pedras pra ver qual, daqui a alguns anos, atingiu o alvo -- e, as que não atingiram, serão solenemente ignoradas.