★★☆☆☆

O grande problema com biografias -- ou apresentações de história na primeira pessoa -- é que é esperado que a pessoa conte sobre o que o autor sentiu; caso contrário, tudo se torna tão impessoal que o mesmo parece uma ficção.

Em Always Looking Up: The Adventures of an Incurable Optimist, Neil Peart soa impessoal e começa a cair nessa categoria de "parece ficção", mas junto com o livro estão as cartas enviadas a um amigo, o que o trás de volta para o lado humano. Em "Nos Bastidores da Coca-Cola", Neville Isdell nunca fala de como se sente, e deixa uma sensação tão grande de "desumanidade" que até quando fala da esposa, parece que o único mérito da mesma é que ela o apoiou.

Existem alguns casos interessantes de história mesmo, mas a narrativa se torna cansativa pois a visão do autor é sempre de que o mesmo resolveu o problema e, mais pra frente, houveram mais pessoas envolvidas. Foi sempre ele quem resolveu o problema, não o grupo. Sempre no singular.

E o último capítulo não fala nada de Coca-Cola. Trata-se de sua visão de economia, da qual a Coca-Cola sequer faz parte.

Com relação à tradução: Embora a tradução tenha se preocupado em fazer um livro bom de ler, peca-se horrendamente quando se fala da Coca-Cola. Algumas vezes é "Coca-Cola", outras é "Coke". Poderia ser que uma refere-se à bebida e a outra à empresa (ou vice-versa), mas não. É como se o tradutor -- ou mesmo o autor, nesse ponto -- não consiga ter uma visão do que é uma e o que é a outra.